terça-feira, 31 de maio de 2016

Tomás de Aquino morreu acreditando na Imaculada Conceição?


Um dos maiores constrangimentos para o dogma da imaculada conceição é sua negação pelos maiores doutores da igreja romana. O principal deles e considerado por muitos o maior teólogo católico romano é Tomás de Aquino. Mesmo os apologistas católicos reconhecem que em algum momento de sua vida ele negou a imaculada conceição:

Como se verificou anteriormente, a Beata Virgem Maria tornou-se Mãe de Deus concebendo do Espírito Santo. Para corresponder à dignidade de um Filho tão excelso, convinha que ela também fosse purificada de modo extremo. Por isso, deve-se crer que ela foi imune de toda nódoa de pecado atual, não somente de pecado mortal, bem como de venial, graça jamais concedida a nenhum outro santo abaixo de Cristo (...) Ela não foi imune apenas de pecado atual, como também, por privilégio especial, foi purificada do pecado original. Convinha, contudo relembrar que o op é pandula, ser ela concebida com pecado original, porque foi concebida de união de dois sexos. (CTh. c. 224)

O renomado mariólogo Juniper Carol escreve:

São Tomás de Aquino (1225-1274) tratou a questão da Imaculada Conceição apenas incidentalmente, como cognato à sua consideração da impecabilidade de Cristo. Ele seguiu o ensino de St. Bernardo, e assim possivelmente se pode considerar que sua relutância em admitir a imunidade de Maria do pecado desde o primeiro momento da sua concepção foi devido ao fracasso dos escolásticos em desenvolver uma noção precisa do momento da concepção e animação. Alguns expoentes de St. Tomás têm se esforçado para estabelecer que o Doutor Angélico virtualmente ensinou a Imaculada Conceição, e certamente eles têm sustentando que a "concepção" tinha sido tratada de forma completamente por ele. Mas a maioria dos estudantes de St. Tomás estão bastante preparados para admitir que o Doutor Angélico simplesmente negou a liberdade de Maria do pecado original. (Fonte)

A citação é da principal obra de Aquino – a Suma Teológica. Os apologistas católicos defendem que Tomás mudou de ideia. Mais para o fim de sua vida, ele teria abraçado a doutrina romanista:

Ela é, pois, puríssima também quanto à culpa, pois nunca incorreu em nenhum pecado, nem original, nem mortal ou venial. (Exposito super salutatione angélica)

O problema é que “nem o pecado original” é uma interpolação posterior. Richard Gibbings já havia apontado há muito tempo que essa é mais uma das falsificações romanistas – veja aqui. Uma edição crítica moderna (produzida por críticos católicos romano) dessa obra não inclui o trecho citado – veja aqui:

Ipsa enim purissima fuit et quantum ad culpam, quia ipsa virgo nec mortale nec veniale peccatum incurrit.

Comparem com o texto fornecido pelos católicos:

Ipsa enim purissima fuit et quantum ad culpam, quia ipsa virgo nec originale, nec mortale nec veniale peccatum incurrit

A edição crítica não traz “nec originale”. E na mesma obra:

Sed Christus excellit beatam virginem in hoc quod sine originali conceptus et natus est. Beata autem virgo in originali est concept (…)

Cristo excedeu a Virgem Santíssima no fato de que ele foi concebido e nascido sem pecado original. Mas a Santíssima Virgem foi concebida em pecado original, mas não nasceu nele.

Portanto, Tomás de Aquino não mudou de ideia. A obra invocada para provar isso afirma o oposto. 

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