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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Doutrina da Intenção e a Incerteza dos Sacramentos da Igreja Romana

O Concílio de Trento afirmou:

Se alguém disser que nos ministros, enquanto confeccionam e conferem os sacramentos, não se requer a intenção de ao menos fazer o que faz a Igreja — seja excomungado. (sessão 7ª cân. 11, Denz. 854)

O Cardeal Roberto Belarmino, proclamado Doutor da Igreja afirmou:

"Ninguém pode estar certo, com a certeza da fé, que recebe um verdadeiro sacramento, porque o sacramento não pode ser válido sem a intenção do ministro, e nenhum homem pode verificar a intenção do outro". ("Disput. Controv. De Justine." III. viii. 5)

O que isso significa na prática é que nenhum católico romano pode ter certeza de que já foi batizado, confirmado, absolvido, ou recebeu a Sagrada Comunhão; pois mesmo que ele seja moralmente certo da honestidade e da piedade dos bispos e sacerdotes que professaram fazer essas coisas para ele, não tem garantia de que todos tenham sido validamente ordenados, uma vez que o Bispo que professou ordená-los pode não ter a intenção, ou ter sido ele mesmo validamente consagrado. ("Theol. Mor." VI. II. 755)

Nenhum católico tem a capacidade de infalivelmente saber qual a intenção do sacerdote, portanto, não pode ter certeza se os sacramentos foram válidos. Isso é tão grave que, nos parâmetros da teologia romana, pode até mesmo determinar a salvação da alma. Um católico que cometeu pecado mortal e se confessou inocentemente como um padre que não tinha a intenção correta, permanece em pecado mortal e caso morra nesta condição, irá para o inferno. Além disso, nem todos os padres podem ouvir confissões. Assim diz o Código de Direito Canônico:

Cân. 966 — § 1. Para a absolvição válida dos pecados, requer-se que o ministro, além do poder de ordem, possua a faculdade de o exercer sobre os fiéis a quem concede a absolvição.
Cân. 970 — Não se conceda a faculdade de ouvir confissões a não ser a presbíteros que tenham sido considerados idôneos mediante exame, ou de cuja idoneidade conste por outra via.

Então o católico que vai se confessar precisa lidar com três requisitos que podem estar fora do seu alcance de conhecimento:

(1) ordenação válida – que dependerá da intenção correta do bispo que ordena e também da validade da ordenação desse bispo;
(2) intenção correta e;
(3) autorização da Igreja para ministrar o sacramento.

São muitas incertezas relacionadas ao sacramento que pode determinar o destino eterno do católico. E casos assim não são incomuns, como o caso do falso padre da paróquia do Morumbi (Link)

A necessidade da intenção correta coloca até mesmo em dúvida a validade de um papa, uma vez que afeta a validade da ordenação que também é um sacramento. Quem pode garantir que um papa é um sacerdote validamente ordenado? O bispo que o ordenou poderia não ter a intenção correta ou poderia ele mesmo não ter sido validamente ordenado.

Ao fazer do sacerdote um mediador entre os homens e Deus, a Igreja Romana tornou a eficácia dos sacramentos um grande mar de dúvidas. No sistema sacramental católico, o homem não pode ter “paz com Deus” como afirma Paulo:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. (Romanos 5:1)

Para todos que desejam ter verdadeira paz com Deus, temos a mensagem do evangelho, cuja eficácia não depende de nenhum sacerdote humano falível, mas do Sumo Sacerdote, a quem temos livre acesso e podemos depositar nossa confiança pois a intenção dele é sempre correta:

Pois não temos um sumo sacerdote que não seja capaz de compadecer-se das nossas fraquezas, mas temos o Sacerdote Supremo que, à nossa semelhança, foi tentado de todas as formas, porém sem pecado algum. Portanto, acheguemo-nos com toda a confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos o poder que nos socorre no momento da necessidade. (Hebreus 4:15-16)

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